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vezes.

Sabes, olho para aquele ambiente lá em casa e vejo um senão. Não me esqueci de correr a cortina, não me esqueci de levantar a toalha da mesa, nem mesmo de deixar os ténis extremamente sujos e lamacentos fora da porta. Não é nada disso. Tem a ver com o esforço que fiz hoje para não chorar, porque por mais que eu não conhecesse aquela pessoa, aquele ambiente atacou-me pelas costas. Deixou-me cair e não me levantei até agora, e a má notícia é que eu sou a única “peça” que não posso reparar/organizar lá em casa.

são fases, meu amor

Comecei por atravessar a estrada, que parecia muito mais comprida do que antes. Ao longe via-o, de sorriso de contentamento estampado no rosto e com os braços praticamente abertos. Dei por mim a sorrir também, sem tirar os olhos dele. Quando chego ao seu pé, reparo que o tempo lhe passou pelo rosto, pela alma, pela voz. Deparo-me sem sentimentos, sem reacções. Passara assim tanto tempo desde que me fui embora? Que maturidade era aquela que me superou, que me engoliu, que me surpreendeu? Onde estava o imaturo rebelde que lhe corria nas veias a umas semanas, a uns meses, a uns anos…? Onde foi que eu estive, meu amor?
"Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que eu me chego a sentir mal." kurt cobain - carta de suicidio
Ainda lembro e quero os nossos velhos e presentes dias. Era e é 100% de energia para o dia seguinte. O certo é que nunca que cansei. Nem de rir, nem de falar, nem de te olhar nos olhos e pensar no quanto te amo. Nem nunca me irei cansar, juro. Mas nunca tive força, nem quando precisava dela. E precisava tanto! Ainda preciso. Quem era eu quando dizia que quem ama tem toda a coragem? Ninguém. É a coisa que mais me custa: dizer. Não é que não tenha certezas disso, porque tenho-as e são definitivamente absolutas. Eu só tenho medo. De te perder, do "tarde de mais", da tua reacção... eu preciso de força, de um abraço. De ti!
Eu... quero dizer-te nos olhos que te amo.