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vezes.
Nada é garantido para mim,
e para ti também não devia ser.

Parei no passeio largo mas incrivelmente abastado, no meio da multidão apressada. Como música de fundo havia gritos de crianças, suspiros de mães, vozes de masculinas, telemóveis a tocar e as buzinas dos automóveis que faziam fila para chegar ao centro da cidade. Todo esse som abafou dentro da minha cabeça, e eu apenas via o movimento a minha volta e sentia os encontrões que levava das pessoas cheias de pressa que se pudessem tinham feito de mim um tapete, sentia-as apenas porque me empurravam para trás, fazendo-me cair. Mas não me movi. Percebi que algumas pessoas falavam comigo e outras olhavam-me seriamente com olhares de desprezo. Imagino o que estariam a pensar "arruma-te lerda" As lágrimas corriam-me no rosto, erguido e decepcionado. Não tive a noção do tempo. Talvez já tivessem passado horas desde que parei, talvez apenas tivessem passado segundos. De repente algo estava errado naquele ambiente: alguém tinha parado e, como já varias pessoas tinham feito, esse alguém tentou chamar-me a realidade, mas não tinha desistiu e não seguiu o seu caminho. Tu.
Não respondi. Tive a esperança que desistisses e fosses embora como todos os outros.

Tive vontade de te gritar bem alto e dizer-te “Não, como posso eu estar bem?! “. Não gritei. Não respondi. Mas tu abraçaste-me e levaste-me para longe. Eu reconheci-te quando senti o teu cheiro, e quis fugir, mas era tarde. Tarde.
Mentira, eu não te esqueci.
Eu só não podia ceder.

Arrastei os meus pés para a beira da janela, e espreitei. Dei-me conta que a minha pastilha elástica estava na minha boca a mais de quatro horas. Abri a janela e cuspi-a. Ninguém passou na rua nessa hora. Nem a seguir. Nem depois. Escureceu. Fiquei com frio e fome mas simplesmente não tive vontade de sair dalí. Estava cansada o suficiente para não querer nem poder andar mas não o suficiente para estar de pé, a beira da janela. Depois... acabou. Cheguei a conclusão que estou preparada, mas não aceito. Que te aperto a mão, mas não concordo. Que posso levantar a cabeça, mas não posso sorrir. Que não vou olhar para trás, mas vou chorar. Não! Eu não vou mais virar a cabeça, eu vou em frente. Não vou fingir que sou eu que estou errada, que sou eu que não sei o que fazer. Eu nunca me protegi a mim, mas sim a ti. E tu não perdes um momento para garantir a minha infelicidade.
Agora deixa-me sozinha. Eu não me importo. Foi sempre assim. Não tenho a culpa.
Adeus.
(…)Eu estava sentada, ali. Mal disposta. De repente, entre telefonemas, pressa e nervosismo estou dentro de um carro, sem noção e ansiosa. Sim, ansiosa. Admito-o. Arrependo-me de estar estupidamente ansiosa quando tudo poderia correr pior. Arrependo-me de estar estupidamente ansiosa por chegar a tua beira e ver-te mal.
Vejo ambulâncias, confusão, choros. A minha estúpida ânsia torna-se em lágrimas.
- Não. Não e não! Merda! – Digo para mim. – Fogo!
Sei que ninguém ouviu. Parei. Observei. (…)
- Não te atrevas a voltar a deixar-me assim neste estado. (risos)

Isto é gentinha reles do mais RELES que há.
Cinicos, estupidos, hipócritas e muito bons a acharem-se mais que tudo e todos.
Mas os coitados são pobres de tudo, até mesmo de espirito.


hey ya, baby


Tenho uma novidade para ti: amanhã vou levantar-me com o sol. Vou arranjar-me e gritar em frente ao espelho. Vou marcar presença no mundo enquanto me ausento. Vou rir de tudo e de nada. Vou chamar por ti. Vou aplaudir os falsos, os ignorantes, os cínicos e os pseudo-importantes. Vou ser como eles. Amanhã vou fazer juras com a luz do dia, e começar do princípio algo que não tenha fim. Amanhã? Amanhã eu vou mas é só amanhã.
"day by day, just take it slow now"

Bem, cheguei a jurar que ia aguentar tudo isto vindo desse lado. Cheguei a ter certezas do futuro enquanto vivia somente o presente. Era feliz assim mas tinha a certeza que era por pouco tempo. Pensei que poderia ter tudo, tudo o que eu mais queria. Mas não. Tudo deixou de ter a sua importância, principalmente eu. Eu senti que ia acontecer. Era aquele pensamento na cabeça do género de quando não nos podemos esquecer de algo. Mas mesmo estando preparada para tudo isso, caí e caí vezes sem conta.

Acredita, eu sei bem o que se passa.
O telefone toca e olhamos uns para os outros num silêncio intenso. Não poderia correr pior. Volta a tocar:
Trrrrrrrrrrriiiiim!
Uns choram, outros ficam em transe e outros rezam mas… ninguém atende. Só poderia querer dizer uma coisa: tu nunca mais estarias ali connosco. Tu… morreste.
Eu levanto-me, passando pelas 15 pessoas que estavam comigo e atendo o telefone.
- Sim? – Digo.
- Já sabes. – Disse alguém do outro lado da linha.
- Está bem. – Digo com o maior custo e desligo.
Caio no chão, e sou a ultima a cessar.
Afinal foste sem mim.

Estavas sentado naquele banquinho de rua,
Corpo cá, mente na lua,
Tinhas um sorriso de me fazer derreter,
E um olhar de me fazer apaixonar,
Tinhas vontade de viver,
De viver para amar.
Mas o tempo passou,
O tempo mudou,
Levaram-te dali,
E nunca mais te vi.
Hoje estou sentada no teu banco,
De sorriso preso e memória rouca.
Hoje observo o que observaste,
E aquela rua louca,

Que sempre amaste.

Já lá vai o tempo em que prometi não destilar por ti. Já lá vai o tempo em que não cumpriste as tuas juras e eu me desfiz em devaneios que eram meros suplícios. Esse tempo engoliu-me por completo e perdi-me neste cúmulo de luzes acesas que são pura alucinação. Estou as escuras. Será possível? Falta-me coragem para admitir que o jogo acabou e que eu o perdi. Eu viciei-me nesse jogo na esperança de um dia o vencer, mas as probabilidades disso…? São quase nulas.